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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Contrato caduca e é pedida a devolução do prédio da Farmácia Osvaldo Cruz, na Praça do Ferreira


O endereço Major Facundo, 576, Centro de Fortaleza, tem ordem para ser desocupado até dia 3 de dezembro de 2011. Lá funciona, há 77 anos, Farmácia Oswaldo Cruz. A proprietária do estabelecimento, Fátima Ciarlini, contou que recebeu uma ligação da proprietária do imóvel, há três meses, na tentativa de negociar a renovação do contrato de locação.

Não houve acordo e, ontem, sob o respaldo da Lei do Inquilinato (8.245/91), foi pedida a devolução do prédio. “Ela queria duas vezes o valor do aluguel. Queria um valor que veio da cabeça dela.

No contrato, teria o reajuste normal no índice INCC (Índice Nacional da Construção Civil), e, por fora, queria um valor a mais”, disse Airton Caracas, diretor administrativo da Farmácia Oswaldo Cruz.

O estabelecimento contratou um advogado para evitar o despejo, já que, segundo informou, o prédio está em processo de tombamento por meio da Prefeitura de Fortaleza. O Povo entrou em contato com a Fiducial Imobiliária, responsável pela administração do prédio.

A empresa preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Segundo O Povo apurou, o contrato de locação já está vencido e a família proprietária do imóvel, que reside no Rio de Janeiro, tem interesse em alugá-lo por um valor mais alto ou vender a propriedade.

Valor histórico

O prédio é particular e a ordem de despejo para a Oswaldo Cruz é legal. Mas o assunto se torna de interesse público em função do valor histórico do estabelecimento, explica Armando Cavalcante, diretor-tesoureiro Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci).

  “Pode pedir o prédio e tem direito a agir dessa maneira. A lei favorece. Mas tem o lado humano e histórico da cidade. A farmácia já é uma referencia, uma tradição, e até ponto de atração turística da cidade.

Teve importância na história da cidade”, comentou Cavalcante. Para ele, o juiz vai definir em função da legislação. No entanto, trata-se de um caso que deve envolver toda a população. “A cidade pode fazer uma desapropriação e manter a farmácia funcionando. Isso é uma prerrogativa do município e do Estado”, sugere.  

Entenda a notícia

A lei é fria. A cultura e a história, não. A concretização do despejo da Farmácia Oswaldo Cruz significa manter a fama de não valorizar o passado, significa enterrar 77 anos de serviços prestados.

Saiba mais

Modelo de negócios familiar
O primeiro proprietário da Farmácia Oswaldo Cruz foi Hotêncio Mota. Cerca de 10 anos depois, vendeu o estabelecimento ao então empregado Edgar Rodrigues de Paula, falecido há três anos.

A farmácia tem 32 funcionários e possui uma filial no município de Caucaia, aberta há um ano e seis meses.
O pedido de tombamento do prédio da Oswaldo Cruz foi feito pelo jornalista e historiador Nirez, dia 13 de agosto de 2011.   

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